quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Cosmic Ocean

Me sento
Me deito
Me elevo

Querendo saborear apenas mais um segundo de calmaria
Ecoando pelo verde do pampa 
Nadando sob os lençóis da minha cama

Cósmico corpo celeste

Surdo silêncio mudo

Clara noite alumiada

10 de fevereiro de 2022

Outono Florido

Outono, estação de libertação, de deixar cair as folhas que já cumpriram seu papel. 
Tempo de desenvolvimento da autossuficiência - da força interior. 
Mas há quem ousa mostrar pro mundo que ainda é flor, mesmo que o que a maioria vê são galhos secos e inertes. 
Existe um imenso poder no oculto, no mistério, no intenso movimento interno, dentro da casca que envolve o infinito potencial de vida.
É preciso morrer para renascer.

Coração Azul

💙
O que é esse Amor que não se contenta em ficar em um só lugar, senão no coração azul do Mar?
Que se sente represado e torna-se revolto pelo anseio de transbordar como cachoeira, fluir na correnteza dos rios, visitar açudes, mergulhar em lagoas, até retornar ao Oceano. Migrar e saltar com baleias jubarte, brincar com botos-cor-de-rosa, quebrar com as ondas, subir com a maré, tocando de leve a beira da praia, então, retornar para as profundezas e dormir junto aos corais, as sereias e os narvais, onde pertence - no fundo do Mar, no infinito das águas e a ninguém mais...

O Reflexo

Nós vemos o mundo como somos. Essa afirmação quer dizer que o que vemos nada mais é do que o reflexo de nós mesmxs. 
Essa percepção é particular e única, criada a partir dos nossos sentidos e da estrutura da nossa mente. Porém, há uma essência ali, uma consciência. 
É como interpretar uma obra de Arte. 
Quando tu vês uma árvore, o que passa pela tua mente? Como a julgas? É apenas uma árvore? É madeira? Lenha para uma fogueira? É fonte de oxigênio? É um ser vivo? É sombra refrescante em meio ao calor?
Quando tu vês um cão, o que desperta em ti? Carinho? Afeto? Indiferença? Pois há quem veja um animalzinho desses como fonte de alimento. E quem somos nós para julgar? Podemos ter um ponto de vista sobre essa prática alimentar, mas é preciso respeitar a realidade, a cultura, o contexto sócio-histórico em que essas pessoas vivem. E nós, aqui, que comemos carne de vaca, animal sagrado para o povo da Índia? O objetivo, por ora, não é levantar discussão sobre consumo de produtos de origem animal, mas de enfatizar que não há apenas uma verdade no mundo.
Tudo o que existe apenas é. Nós que criamos nomes, definições, polaridades; nós que criamos o julgamento. E isso não significa que julgar é algo necessariamente ruim, mas uma forma sistemática de compreender a realidade através das nossas próprias lentes, de acordo com nossas experiências de vida, nossas crenças, nossa natureza, nossa essência, nossos pontos de vista.
O mundo é nosso Reflexo.

30 de abril de 2020

Encontro do Silêncio

Como não gostar da noite quando tudo que se ouve é o silêncio? Como não gostar deste espaço em que nada distrai além de nós mesmas? Em que é possível ouvir com clareza os pensamentos sem interferência externa. Entrar no fluxo das águas de si, mergulhar fundo e contemplar toda a vida que ali existe. Vida que não se pode ver na luz ofuscante do Sol. Vida que só brilha no escuro.
Na escuridão da noite, Luz e Sombra não são mais distintas. É o momento em que criam um (re)encontro de seus corpos que um dia pensaram ser separados. Se olham nos olhos e se unem no abraço eterno de sua existência. Dançam em volta do fogo da chama da vida, ao som do tambor de seus corações que batem juntos, deitam à luz do luar, contemplando as constelações que formam caminhos no cosmos, lembranças de suas origens. Até que chegue o amanhecer para que adormeçam no sono profundo da plenitude de apenas Ser. E, então, acordam com os raios solares desbravando por entre as folhagens das árvores, em uma realidade em que tudo não passou de um sonho.

5 de maio de 2020