sexta-feira, 17 de julho de 2020

O Encontro do Silêncio

Como não gostar da noite quando tudo que se ouve é o silêncio? Como não gostar deste espaço em que nada distrai além de nós mesmas? Em que é possível ouvir com clareza os pensamentos sem interferência externa. Entrar no fluxo das águas de si, mergulhar fundo e contemplar toda a vida que ali existe. Vida que não se pode ver na luz ofuscante do Sol. Vida que só brilha no escuro.
Na escuridão da noite, Luz e Sombra não são mais distintas. É o momento em que criam um (re)encontro de seus corpos que um dia pensaram que eram separados. Se olham nos olhos e se unem no abraço eterno de sua existência. Dançam em volta do fogo da chama da vida, ao som do tambor de seus corações que batem juntos, deitam à luz do luar, contemplando as constelações que formam caminhos no cosmos, lembranças de suas origens. Até que chegue o amanhecer para que adormeçam no sono profundo da plenitude de apenas Ser. E, então, acordam com os raios solares desbravando por entre as folhagens, em uma realidade em que tudo não passou de um sonho.

5/MAI/2020

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